|
::
Histórico
PREVENÇÃO CONVENCIONAL – O “PAPANICOLAOU”
1- Histórico
O exame de prevenção do câncer do colo uterino foi desenvolvido, nos moldes em que até hoje é conhecido, pelo médico grego Dr. George Papanicolaou e seu colega Dr. Traut, em meados da década de 1940.
O método, revolucionário para a época, consistia na coloração especial das células colhidas do colo uterino, de modo a permitir o diagnóstico das lesões cancerosas. Toda uma sistematização dos vários graus de lesões celulares seguiu-se aquela inicial.
2- A execução do exame:
Para a coleta do material celular que vai ser submetido a exame o profissional se utiliza basicamente de:
a - Espéculo vaginal
b - Espátula e escova cervical
c - Lâmina de vidro comum
-
Uma vez obtidas, estas células são dispostas sobre uma lâmina de vidro, produzindo o que se chama de “esfregaço celular” , uma vez que o material é depositado na lâmina esfregando-se tanto a espátula como as cerdas da escova cervical sobre a sua superfície.
Desde a introdução do exame de Papanicolaou, a mortalidade por câncer de colo uterino caiu drasticamente, aproximadamente 70%.
Embora a medicina diagnóstica tenha evoluído constante e exponencialmente, o exame de Papanicolaou continuou, até bem recentemente, sendo feito da mesma forma como foi criado em 1940, praticamente sem nenhum avanço técnico.
3 - Limitações do exame:
Conheça agora, as limitações técnicas do exame de Papanicolaou convencional.
O FALSO NEGATIVO – POSSÍVEIS CAUSAS
Quando células anormais estão presentes no exame mas não são detectadas, isso se chama “resultado falso-negativo”, ou seja, o exame é dado como negativo (sem doença) mas a paciente tem câncer. Daí porque se diz que é o negativo é falso.
Veja agora porque isto pode acontecer:
-
A espátula de madeira não permite que a totalidade de células coletadas sejam transferidas para a lâmina, que será o objeto de estudo. Trabalhos científicos demonstram que apenas 20% do material coletado na citologia convencional é avaliado, ao passo que os 80% restantes são descartados no lixo, aderidos à espátula de madeira. Se células anormais estiverem aderidas à espátula, e, desta forma, deixarem de ser analisadas, então, fatalmente, ocorrerá um resultado falso-negativo.
-
Durante a coleta do material, além de células do colo uterino, eventualmente são coletadas outras células ou restos celulares, que podem prejudicar a avaliação no laboratório, tais como: sangue, células inflamatórias, muco, resíduos de lubrificantes, esperma, etc... Estes “artefatos” prejudicam a análise do material contido na lâmina, pois podem obscurecer o campo de visão do médico patologista (médico que executa a leitura e a liberação do exame).
-
Após a obtenção das células do colo uterino, o médico deve transferir as mesmas esfregando a espátula e as cerdas da escova contra a superfície da lâmina de vidro. O conjunto celular resultante fica disposto sobre a lâmina em camadas, podendo apresentar sobreposição de células. Caso uma célula cancerosa esteja “escondida” embaixo de células saudáveis, o médico patologista terá dificuldades em localizá-la. Para você ter uma idéia do resultado desta ação de esfregar as células contra a superfície da lâmina, imagine a operação de passar manteiga no pão. Veja imagem real na figura 3.
-
O exame de Papanicolaou convencional, é um procedimento manual, que depende da habilidade humana para sua confecção e realização. Isso significa que o resultado do seu exame dependerá da habilidade dos profissionais que realizarão a coleta da amostra, a transferência das células para a lâmina e principalmente, do profissional que fará a leitura do exame. Havendo falhas em qualquer uma destas etapas, uma célula cancerosa pode não ser encontrada ou analisada, acarretando um falso-negativo.
Fig. 3. Aspecto da lâmina citológica do exame de Papanicolaou Convencional.
Note que as células ficam dispostas de forma irregular, sobrepostas uma às outras, e a área de análise se estende por toda a extensão da lâmina de vidro. O material toma a forma de um “esfregaço”, resultado do atrito da espátula de madeira e da escovinha sobre a superfície da lâmina.
|